Andando em São Paulo


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Estou sentindo falta de falar um pouco mais de mim nesse blog e sobre o que vivencio na cidade de São Paulo. Sou paulista, mas não paulistana, vim do interior do Estado, e ainda tem algumas coisas que estranho na “cidade grande”, apesar de já morar aqui há mais de 20 anos. Uma delas é a necessidade que as pessoas tem de andar de carro, até para ir na padaria da esquina.

Lembro-me que quando era pequena, lá no interior, tinha uma tia que morava em Santos que sempre ia nos visitar. Quando ela perguntava onde ficava alguma coisa, o cinema, a igreja, a gente dizia que era perto e íamos a pé. No caminho ela reclamava muito, pois para ela tudo era longe, reclamava dessa mania que gente do interior tem de dizer que tudo é perto, que tudo é ali mesmo. (e olhe que não somos mineiros, hem)

Mas essa é uma diferença grande entre uma cidade menor e outra grande, ou uma metrópole. Na cidade pequena tudo está a uma distância razoável, e você pode ir andando se quiser. (quer dizer, pelo menos a gente ia naquele tempo, talvez hoje ninguém vá) Em São Paulo isso não é possível. Há lugares a que não consigo ir, por mais que eu seja uma andarilha. Mesmo assim, nessa cidade é possível fazer muita coisa a pé.

Tenho andado muito nessa cidade nos últimos meses, por motivos diversos. Hoje comprei o livro “10 roteiros históricos a pé em São Paulo”, e lendo tive vontade de ir amanhã mesmo fazer um deles.

Fico muito feliz hoje quando vejo pessoas caminhando pela cidade (o que não acontecia há alguns anos atrás, ao contrário do Rio onde na Zona Sul sempre teve gente caminhando na rua). Não estão necessariamente indo a algum lugar, estão fazendo exercício ou passeando um pouco. Vá para a Avenida Paulista no domingo de manhã!!!!!!!!!!! (tudo bem aquelas obras das calçadas estão atrapalhando muito mesmo)

Alguns meses atrás me aventurei a caminhar em Brasília. Lá, em alguns lugares isso é mesmo impossível. Tente atravessar o eixo monumental a pé, usando as pontes é claro, não estou sugerindo que você corra para atravessar aquelas pistas tentando não morrer atropelado .

Para chegar às pontes, vindo do setor comercial norte ou sul, você vai ter que atravessar os gramados…. que estão completamente vazios, dá medo.

Ou que, como te avisam os Brasilienses, não vá, é perigoso, tem alguns garotos escondidos. Quando você menos espera, te assaltam. Tudo bem, eu nem precisava ser urbanista para saber que Brasília foi feita para o automóvel, e não para caminhar a pé.

Mas, e São Paulo? Você acha seguro caminhar pelas ruas da cidade (esqueça ladrões, assaltantes, etc)?

Tente ir da Avenida Dr. Arnaldo ao cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. Ou tente ir caminhando pela Consolação, lado direito sentido centro, da Rua Maria Antônia até a Avenida Ipiranga. Nos dois casos você vai ter que cruzar acessos a vias de tráfego rápido, sem faixa (Dr. Arnaldo) ou farol de pedestre, sem sinal para pedestre e com visibilidade reduzida.

E a preferência é de quem mesmo????? Pergunte isso àquele cara ou àquela moça, que conseguiu sair do congestionamento de horas da Consolação, engatou primeira, acelerou, engatou segunda …. e você, corre… sai da frente, por que não tem prá você não….

Ou tente andar em calçadas de avenidas de grande porte.

Vá passear na Avenida Ricardo Jafet, por exemplo. Cadê a calçada? Vários trechos não tem, é terra mesmo. (e já tem lei que proíba o proprietário safado de pavimentar sua calçada com ladrilho cerâmico esmaltado, para quebrar a perna de quem se atreve a usá-la????)

Vai atravessar uma rua que desemboca na Jafet? Pois corra, a maioria não tem semáforo, nem mesmo faixa, e os carros saem da Jafet e entram nessas ruas secundárias sem reduzir a velocidade.

Você quer chegar à estação Imigrantes do Metrô caminhando pela Jafet??? Prepare-se. Têm calçadas cobertas de entulho, você vai ter que caminhar na pista… olhe bem… vê se dá tempo antes que aquele carro chegue.

Você quer subir a escada na ponte da Rua Vergueiro (lado direito sentido Rodovia dos Imigrantes)? Prepare-se. Você vai ter que desviar do lixo que cobre os degraus, fora o cheiro de urina.

Ou seja, caminhar na cidade é mesmo uma aventura, quase um rali sem carro.

A cidade tem plano diretor por subprefeitura, certo. A pergunta é: a sub-prefeitura tem equipe que ande pela região que administra para ver os problemas que a população enfrenta? Essa equipe está treinada para desenvolver pequenos projetos urbanos? Essa equipe pode alterar a sinalização viária? A resposta é não.

A cidade tem muitos problemas. Falta iluminação pública, falta esgoto, falta drenagem urbana, falta piscinão, falta ônibus, falta metrô, falta habitação. E uma administração que se preze tem que enfrentar, no mínimo com vontade, todos esses problemas .

Mas existem alguns não tão graves, que podem ser resolvidos com imaginação, criatividade, com boa integração entre áreas da Prefeitura como Trânsito, Limpeza Urbana e Iluminação Pública e com pouco dinheiro. (aliada à educação ambiental e de trânsito dos que usam e moram na cidade, é claro)

Por que isso não acontece? Por que não se priorizam pequenas ações que podem melhorar o cotidiano dos moradores? Será que precisamos mesmo de ruas comerciais renovadas, com calçadas novas e lixeiras, lindas maravilhosas? (é preciso discutir prioridades com quem usa a cidade, ainda que a revitalização de centros comerciais de bairro seja uma medida importante)

Para ser sincera, eu gosto bastante dessas revitalizações que vêm sendo feitas, acho bonito, me faz gostar mais da cidade. Mas precisamos de segurança (e de um pouco de boniteza também) para poder caminhar nessa cidade em locais onde não existem lojas.

E como caminham milhares de pessoas indo e voltando do trabalho todos os dias!

Alguns números: Em Agosto de 2007, no lançamento da campanha “Dia Mundial sem Carro”, a Prefeitura informava que em 2006 morreram em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo 1.486 pessoas, e dessa 49,4% eram pedestres. E mais: a Companhia do Metrô estima que 34% da população da cidade vai a pé trabalhar. Vão sair números de uma nova pesquisa agora em 2008. Vamos ver como estamos, pois o bilhete único deve ter diminuído bem este percentual.

Mas, e então? Você acha seguro andar pelas calçadas dessa cidade??? Que tal a gente fazer 1 ou 2 dos “10 roteiros históricos a pé por São Paulo”? Você se arrisca?

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