Fim de semana – Enclaves étnicos


(post publicado no site WebUrbanist em 27/jul/2009 com o título 12 Excitantes Enclaves Étnicos e Distritos Internacionais, e traduzido por mim para publicação aqui no The Urban Earth)

Chinatown, Little Italy…. você nomeia o país e provavelmente tem um “pequeno” grupo de quarteirões em algum lugar por aí. Esses enclaves étnicos não tiveram uma origem muito feliz, mas hoje eles são showrooms da comida, produtos e da cultura de seus países de origem. Aqui estão 12 dos mais interessantes do mundo e alguns deles inesperados.

Chinatown: Yokohama, Japão

ethnic_enclaves_1(imagens via: I-Guide, The Japan Times and Strapya World)

Chinatowns (bairros chineses) são os enclaves étnicos mais comuns, e historicamente significaram a xenofobia dos países receptores e também a fechada cultura chinesa. Inclusive as nações asiáticas tem Chinatowns, e um dos mais antigos, maiores e mais conhecidos deles localiza-se em Yokohama, Japão, ao lado de Tóquio. Sendo lar de 200 restaurantes e 150 anos de história,  Yokohama’s Chinatown é um local que deve ser visitado por todos aqueles que vão ao Japão.

ethnic_enclaves_1x(imagem via: Zombie Zodiac)

NTT (Nippon Telephone & Telegraph) instalou essa bela tampa de acesso a sua fiação (mostrada acima) em Yokohama em 1990, para comemorar cem anos dos serviços telefônicos. Ainda que não em escala, a tampa mostra um mapa de Yokohama e inclui o bairro de Chinatown – veja o portal vermelho (tori).

Irishtown: Irlanda

ethnic_enclaves_2(imagens via: James Martin Moran and Val)

Espere um pouco…. uma “Irishtown” (cidade de irlandeses) na Irlanda? Na verdade existem 5 Irishtowns localizadas em cidades irlandesas, incluindo Athlone, Clonmel, Dublin, Kilkenny and Limerick. Esses enclaves foram criados no século 15 pelos governantes britânicos como forma de controlar as cidades irlandesas expulsando a população nativa Galesa para fora dos muros das cidades. Acima você pode ver uma imagem da Irishtown de Kilkenny.

ethnic_enclaves_2x(imagem via: New Look Contracting)

A Irishtown “Bottleworks Apartments” em Dublin (acima) mostra a vitalidade continua da Irishtown de Dublin, a qual é, como o resto da Irlanda, aberta a todos e que não tem preconceito contra pessoas de diferentes origens étnicas.

Nova Islândia: Gimli, Canada

ethnic_enclaves_3(imagens via: Art-Iceland, Photos Manitoba and Bryan Scott)

A cidade de  Gimli, Manitoba, foi fundada por imigrantes Islandeses em 1875 e foi denominada em homenagem a Gimlé, um deus da mitologia nórdica… e não o personagem do Senhor dos Anéis. Localizada cerca de 45 milhas ao norte de Winnipeg, Gimli, e a área do entorno, são o local de moradia de um grande número de descendente de islandeses e é a maior concentração de islandeses fora da Islândia, e por isso é chamada de Nova Islândia (New Iceland) . Uma estória curiosa sobre Gimli é que ali é onde é feito o whiskey Crown Royal – o whiskey canadense mais vendido nos EUA.

ethnic_enclaves_3x(imagem via: Wade Nelson)

A cidade de Gimli briga pelo fama de ser chamada de cidade da aterrisagem de vôo livre (Gimli Glider landed). Em 23 de Julho de 1983, um boeing 767 da Air Canada que ficou sem combustível a 28,000 pés de altitude conseguiu pousar na cidade por causa de uma inversão térmica. Num inusitado feito da aviação, o piloto planou até conseguir pousar no comportado e fora de uso aeroporto de Gimli, salvando a vida das 69 pessoas a bordo. Eu disse fora de uso? Bem, quase – atualmente ali acontece uma corrida de karts.

Little Italy: Manhattan, Nova York

ethnic_enclaves_4(imagens via: Wikipedia, NYT World Cup Blog and Inetours)

Existem dúzias, talvez centenas de Little Italys pelo mundo afora com pimentões sobre suas pizzas extra-grandes mas nenhuma tão famosa como a novaiorquina da Baixa Manhattan. Ela tem inclusive seu próprio website. (bom, me informaram que esse não é o verdadeiro oficial website de Little Italy, mas sim este. Veja os dois. Ambos tem informações interessantes)

ethnic_enclaves_4x(imagem via: NY Diary Star)

No entorno da rua Mulberry, Little Italy é uma atração turística popular, especialmente em Setembro quando por 11 dias acontece a Festa de San Gennaro que transforma a área em um showroom de comida italiana, divertimento e sabor.

(é porque o WebUrbanist não conhece São Paulo, no Brasil, a cidade quase italiana, como o Bexiga e a festa de Nossa Senhora da Chiropita, ou o Brás e a sua festa de San Gennaro, não é não, gente!!!!)

Greektown: Toronto, Canada

ethnic_enclaves_5(imagens via: Dine T.O. and Peterstereoscopy)

O Canada é um dos países do mundo mais multi-étnicos e em contraste com a tradição americana do “melting pot” (miscigenação) (?????),  a diversidade e individualidade é encorajada. Um exemplo disso é a Greektown de Toronto, um das maiores concentrações de gregos da América do norte, se não a maior. Uma comprida faixa da Avenida Danforth conserva uma arquitetura dos primórdios do século 20, na qual uma grande concentração de imigrantes gregos e seus descendentes vive e trabalha.

ethnic_enclaves_5x(imagem via: Neuroticjose)

Desde 1994 Toronto fecha a Avenida Danforth ao tráfego de veículos para o final de semana de agosto quando acontece o  Taste of The Danforth, um festival de música e comida grega que em 2008 atraiu mais de 1 milhão de turistas. O festival de 2009 aconteceu entre 7 e 9 de Agosto.

Little Canada: Minnesota, USA

ethnic_enclaves_6(imagens via: Rent.com, Butlins Memories and Vanneste)

Uma “rotatória” é o local do enclave e Little Canada, Minnesota, é seu principal exemplo. Little Canada carrega sua história desde 1844 quando Benjamin Gervais, um franco-canadense, fundou uma fábrica de cimento às margens de um lago que hoje carrega seu sobrenome. Em 1953 Little Canada foi considerada legalmente como vila e em 1974 como cidade, num esforço de manter sua identidade comunitária por causa do crescimento suburbano das Cidades Gemeas (Twin Cities – assim chamadas as cidades de Minneapolis e Saint Paul).

ethnic_enclaves_6x(imagem via: Little-Canada)

Little Canada abriga a celebração do Dia Canadense todo agosto em associação com sua cidade irmã – Thunder Bay em Ontario.

Little Tokyo: Los Angeles, California, USA

ethnic_enclaves_7(imagens via: JSDart, Dallas News and Little Tokyo Service Center)

O distrito de Los Angeles conhecido há muitos anos como  Little Tokyo hoje abriga um significativo número de não-japoneses, mas mesmo assim ainda continua sendo um importante centro de cultura japonesa-americana e um dos três Japantowns oficiais dos Estados Unidos.

ethnic_enclaves_7x(imagem via: Washington Flyer)

A guerra entre Japão e Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial causou um temporário arrefecimento de Little Tokyo, mas no pós-guerra, com a reconstrução, o distrito logo voltou a ser um local vibrante. As atrações turísticas mais populares incluem o  Cherry Blossom Festival (Festival da Florada das Cerejeiras) em Abril e a celebração da Nisei Week que acontece todo Agosto.

Phahurat: Bangkok, Thailand

ethnic_enclaves_8(imagens via: Bangkok Tourist, Phahurat.com and Mike LaPalme)

A Little India de Bangkok teve inicio nos primórdios do século 20 quando comerciantes indianos abriram lojas ali e, bem sucedidos, convidaram amigos e familiares para juntarem-se a eles. Phahurat é conhecida hoje como o lugar que se deve ir em Bangkok para comprar seda e cashmere de alta qualidade e baixo custo. A região também possui vários templos Hindus, com bela ornamentação. E como bonus, Phahurat é vizinha à Chinatown de Bangkok, o que significa que um visitante pode conhecer dois enclaves étnicos, ao invés de um só, no mesmo dia.

ethnic_enclaves_8x(imagem via: Webshots)

A magnificiência do Templo Sri Guru Singh Sabha Temple que foi construido em 1932 e bastante modificado nas décadas subseqüentes. No espírito Hindu de compaixão e humildade, o templo dá assistência aos necessitados e oferece comida de graça a eles todos os dias.

Little Havana: Miami, Florida, USA

ethnic_enclaves_9(imagens via: Cuba Tradition, USA Today and Women Who Smoke Cigars)

Conhecida como La Pequeña Havana pelos seus moradores, o brilhante e colorido enclave é um orgulhoso produto da Mama Cuba que brotou graças as benéficas condições na terra da liberdade e da oportunidade (droga mais americano que isso impossível… porque é que eles acham que são donos da idéia de liberdade e da oportunidade???? ou será pura ironia?!) Little Havana tem uma população de mais de 50.000 habitantes e é o bairro de Miami mais denso, com uma preponderância de prédios de apartamentos.

ethnic_enclaves_9x(imagem via: World Of Stock)

Ainda que oferecendo uma grande número de divertimentos como o Festival Anual Multi Cultural Calle Ocho, talvez a mais interessante imagem de Little Havana seja a dos dedicados jogadores de xadrez e dominó do Domino Park.

Little Haiti: Miami, Florida, USA

ethnic_enclaves_10(imagens via: DWDD Blog, Bel Poz, Latin American Studies and MSG Cartel)

Obscurecida pela Little Havana, “La Petite Haiti” é 40% menor e falta lhe os festivais familiares que acontecem no seu vizinho bairro hispânico. A reputação da área vem decaindo, na verdade ela foi usada como um local para a comercialização de carros roubados. Ultimamente, contudo, o local vem passando por uma revigoração por sua proximidade com o Distrito de Design de Miami e com a construção recente da comunidade Edgewater. Muitos dos imigrante haitianos que construíram a Little Haiti como um centro ao sudoeste do Haiti da cultura francófina já não moram mais lá, mas o local ainda mantém um certo sabor dessa tradição.

ethnic_enclaves_10x(imagem via: Miamigov.com)

Um bom exemplo do renascimento do Little Haiti é o Centro Recreacional e Campo de Futebol Little Haiti aberto em Maio de 2008. O lugar tem dois novos campos de futebol, um playground, um campo de dominó, áreas para picnic, etc

Liberdade: São Paulo, Brasil

ethnic_enclaves_11(imagens via: Wikipedia, Discover Nikkei, Anna Avalanche and PBase)

A imigração Japonesa para o Brasil começou em 1908 quando 790 imigrantes subiram no navio Kasato Maru no porto de Kobe. Hoje 1,3 milhões de descendentes de japoneses vivem no Brasil, a maioria concentrados nos estados do Sudeste: Paraná e São Paulo. A Liberdade, um curioso bairro em São Paulo, é o centro da cultura japonesa em São Paulo. (não é mais, já foi, hoje o local é habitado principalmente por coreanos)

ethnic_enclaves_11x(imagem via: Concept Caching)

Desde 1974 na Rua Galvão Bueno, quando esta chega ao bairro da Liberdade, um portal japonês imitando um grande Tori foi instalado, e é pintado de vermelho imitando o vermelho laqueado dos templos japoneses.

Europe Street: Pequim, China

ethnic_enclaves_12(imagens via: Snow Kisses Sky, PingShang, Smiling TT and Jiulong)

Talvez o mais estranho enclave étnico seja a  Europe Street, localizada próxima do parque Chaoyang em Pequim. O Europe Street não tem moradores europeus de fato, ele é um local criado para entreter chineses com os estranhos costumes e roupas desses exóticos europeus.

ethnic_enclaves_12x(imagem via: Beijing Observer)

Turistas que chegam ao Europe Street são apresentados a leituras de selecionadas histórias de fadas européias como forma de ter um maior contato com a cultura daquele continente. Nove nações da União Européia estão representadas na Europe Street, frequentemente evocadas pelos seus mais famosos estereótipos – coisas como tamancos holandeses de madeira.

Europe Street nos recorda que os enclaves étnicos não são sempre tão autênticos quanto parecem. Temos que considerar que uma “Little Town” fundada há mais tempo faz com que seus habitantes estejam há muito longe de seus países de origem. Para realmente conhecer outras culturas você tem que viajar para outros países, pois nesses enclaves a única coisa que podemos sentir é uma certa sensação de não estarmos em casa, quando estamos em casa.

Um pensamento sobre “Fim de semana – Enclaves étnicos

  1. Não gostei do post, deesperdício de oportunidade. Um assunto ótimo como estas dobras urbanas escrito de maneira rasa. Que pena.

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