teatro noturna

Teatro Amazonas – o art-nouveau em Manaus – Brasil


foto de Antônio Carlos Costa

Janeiro 2010

Erguido com o dinheiro da exportação da seringa, no seu período áureo, final do século 19 (1896), o teatro de Manaus é reconhecido como um edifício expressivo eclético em terras brasileiras. E por sua imponência é ponto turístico da cidade de Manaus, fotografado por todos, e foi uma série de fotografias que recebi por email, que me inspiraram esse post. (Obrigada Antônio Carlos pelas belíssimas fotos e ao Luis Carlos por me apresentar esse ótimo fotógrafo)

“A seringa, ou borracha, conhecida e utilizada pelos índios desde o período pré-colombiano, foi levada à Europa na fase dos descobrimentos, mas só chamou a atenção dos cientistas e industriais, quando Charles La Condamine e François Frenau apresentaram, em 1736 e em 1747, na França, as primeiras comunicações científicas sobre suas extraordinárias potencialidades.

Observando os usos que os índios faziam do material, como bolas, seringas e garrafas, já no ínicio do século 19, foram, então, fabricadas roupas impermeabilizadas, sapatos e vasilhames de borracha da Amazônia. Roberto Santos (1980) situa o emprego comercial do produto a partir de 1803, ainda na França, com o surgimento de uma fábrica de suspensórios e ligas, exemplo seguido por outros países europeus alguns anos depois. Antes disso, somente os usos da borracha-de-apagar eram bastante conhecidos. Os Estados Unidos importaram borracha do pará, talvez desde 1800, na forma de garrafas e, a partir de 1820, negociantes de Boston e outras cidades norte-americanas e européias começaram a importar, com certa regularidade, sapatos de borracha.” (Jussara da Silveira Derenji em “Arquitetura na Formação do Brasil”)

a praça do Teatro

foto de Antônio Carlos Costa – Janeiro 2010

a escada de acesso ao patamar mais alto da praça sobre o qual o teatro está assentado

Foto de Antônio Carlos Costa – Janeiro 2010

Mas o maior interesse pela borracha surgiu a partir de 1850, quando empresas americanas começaram a desenvolver os pneumáticos (Goodyear, Dunlop), que logo depois começaram a ser utilizados na indústria automobilística que então se iniciava. A borracha, coletada na floresta amazônica, era escoada principalmente pelo porto de Manaus, enriquecendo os comerciantes e trazendo prosperidade e inovações à cidade. (parte da borracha era escoada pelo porto de Corumbá, Mato Grosso do Sul – veja a matéria sobre Corumbá clicando aqui e Henry Ford da indústria Ford, construiu uma cidade na Amazônia – Pará, para produção industrial da borracha – a reportagem sobre Belterra você encontra clicando aqui)

Quem passa pelas ruas centrais de Manaus não tem como fugir a uma visão ao mesmo tempo surpreendente e agradável. A surpresa é causada pela forma da cobertura de um edifício público, uma cúpula inscrustada no meio de telhado composto por telhas inclinadas. A sensação agrada, pelas cores com que se apresenta essa cúpula, em si mesma a razão de orgulhosa referência pelos habitantes do lugar: todos os materiais que a compõem vieram de países europeus.

Mesmo sem entrar nas amplas dependências daquela construção imponente, o Teatro Amazonas, o visitante poderá dizer que pelo menos viu, de fora, um dos monumentos-símbolos de um pedaço da história da Amazônia. E, por certo, do país. Se visitar o interior, não poupará adjetivos ao talento de artistas estrangeiros e nacionais que trabalharam na obra.

Erguido no final do século XIX, o Teatro Amazonas é, frequentemente, comparado a outras casas de ópera que enfeitam importantes cidades européias. Não causa espanto a semelhança que alguns estudiosos estabelecem entre a obra inaugurada, em 1896, pelo então governador Eduardo Ribeiro, com o Scala de Milão e o Teatro de Ópera Garnier, de Paris.” (José Seráfico)

uma vista lateral do teatro com a cúpula multicolorida

Foto de Antônio Carlos Costa – janeiro 2010

detalhe da cúpula nas cores da bandeira brasileira

Foto de Antônio Carlos Costa – Janeiro 2010

Artistas que já haviam trabalhado na construção do Teatro da Paz, em Belém do Pará, foram contratados: os italianos Domenico de Angelis e Giovanni Capranesi, da Academia de San Luca de Roma; e brasileiros, como Crispim do Amaral, que tinha estudado na mesma academia e fora cenógrafo da Comedie Française, e que são responsáveis pela decoração interna.

“O Teatro Amazonas é fundamentalmente eclético e destaca-se pela modernidade perceptível na introdução de estruturas metálicas, especialmente a da cúpula, com uma ousadia técnica e uma fantasia cromática, inimagináveis do teatro do Pará. O teatro construído em Manaus nasce eclético, com decoração fitomórfica e derivada do art nouveau. Isolado, no setor mais alto da cidade e favorecido por uma praça que o valoriza, torna-se assim, um prédio emblemático, diferenciado dentre as construções do período.” (Jussara da Silveira Derenji em “Arquitetura na Formação do Brasil)

aqui uma série de fotos do interior luxuoso e art-nouveau do teatro

camarotes e frisas laterais

Fotos de Antônio Carlos Costa – Janeiro 2010

os camarotes principais

o palco visto das frisas laterais

detalhe das colunas e dos lustres de cristal

o hall de entrada

Veja o teto

aqui um maior detalhe do afresco do teto

Mas além do teatro, outros edifícios da mesma época foram construídos na cidade, e juntos são uma mostra do fausto em que a sociedade amazonense esteve mergulhada no começo do século.

“Não foi somente esse importante prédio público deixado pelo “período áureo da borracha” na capital paraense. O Mercado Municipal do Ver-o-peso, a sede da Intendência Municipal, o matadouro do Maguary são algumas outras edificações mandadas erguer pelo poder público, às quais se juntaram prédios de propriedade de particulares, como os palacetes Pinho, Bibi Costa e Bolonha, apenas para ficar nas construções mais notórias.

Também em Manaus se testemunhava semelhante interesse por dotar a cidade de equipamentos urbanos à altura dos anseios de parcela da sociedade local. Passara-se, já, a primeira fase do conhecido “período áureo da borracha” (1). Foi a fase que o autor Mesquisa Otoni chamou de instalação, quando se introduziram diversos melhoramentos na cidade. As cinco décadas serviram ao “aformoseamento” de Manaus, como costumavam afirmar os governantes de então. Vias públicas foram abertas, igarapés aterrados, praças construídas.

Na segunda fase (1892-1900), consolidou-se o que o referido autor chamou de vitrine — espécie de exposição capaz de atestar que a urbe estava apta a atrair a mão-de-obra necessária à exploração da borracha, ao mesmo tempo que os capitais estrangeiros indispensáveis ao empreendimento.

É nesse contexto que se ergue, em pleno centro da capital amazonense, uma das mais importantes casas de espetáculo do Brasil.” (José Seráfico)

uma imagem meio apoteótica do Teatro, com sua decoração de Natal

foto de Antônio Carlos Costa – Janeiro 2010

Para ver o álbum de Antônio Carlos Costa sobre Manaus no Picasa clique aqui.

Para ler o artigo inteiro de Seráfico clique aqui. Para ler mais sobre Manaus e a visão de Milton Hatoum sobre Manaus clique aqui. Para ler sobre a Manaus da Belle Époque clique aqui. Para ler sobre os teatros brasileiros do século 18 e 19 clique aqui.

9 pensamentos sobre “Teatro Amazonas – o art-nouveau em Manaus – Brasil

  1. tenho que fazer um cruqui inspirado no teatro amazonas, na art nouveau vc me ajudou muito , obrigada.

  2. estou fazendo um estudo sobre o Teatro Amazonas, preciso muito da planta baixa, se puderem me ajudar…

  3. Sou Artista Plástica e Professora de Artes.

    Estive em Manaus,quando adolescente.
    Mas, quero voltar para vislumbrar este “espetáculo”, digno de ser apreciado.
    É um Patrimônio Cultural da Humanidade.
    Maravilhoso.

  4. Material maravilhoso!
    Há anos visitei Manaus e parte da selva amazônica e amei. Ver esse blog me trouxe lembranças lindas e um pouco mais de conhecimento sobre essa cidade e seu patrimônio cultural e histórico fabuloso.
    Valeu, parabéns!
    Grata também a você, Antonio Costa, por essa indicação e possibilidade.

  5. Ótima matéria que merece ser divulgado mais, mais e mais e as FOTOS merecem um premio, estão MARAVILHOSAS! PARABÉNS para Antonio Carlos Costa que apresentou “Divinamente” o teatro.

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